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DEMANDA DE SOJA NO MUNDO

Estudos do IEPE (Instituto de Estatística e Pesquisa Econômica, UFRGS), demonstram que através de projeções realizadas, verifica-se que para o ano 2010 o Brasil deverá estar produzindo de 69 milhões de toneladas a 75 milhões de toneladas de soja. Por outro lado, quando se considera a taxa de crescimento populacional, a renda “per-capita” e a elasticidade-renda da demanda, essas variáveis também estão sendo projetadas para o futuro, embora dentro de critérios racionais. De qualquer maneira, a manutenção da demanda de soja, como é uma demanda derivada da demanda de carnes, principalmente de aves e suínos, depende bastante do desenvolvimento econômico dos paises e das condições dos produtores levando-se em conta a distribuição de renda de todos os países do mundo. Assim pode-se enumerar alguns fatores que mais se destacam na demanda mundial de soja:

1. crescimento da renda per-capita. Principalmente dos países cuja elasticidade-renda de alimentos é alta;
2. distribuição mais eqüitativa de renda acompanhando o crescimento da economia;
3. crescimento econômico e distribuição de renda de países populosos (China, Índia);
4. maior penetração do capitalismo com a abertura de países até então fechados;
5. globalização, principalmente do capital financeiro, facilitando investimentos em ações de empresas em qualquer lugar do mundo;
De acordo com dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), o crescimento econômico dos países do terceiro mundo, principalmente da Ásia, nos próximos anos deverá ser da ordem de 6% a 7% ao ano, em média. O crescimento econômico de um continente onde vivem em torno de 55% dos habitantes do planeta, associado a uma elasticidade-renda da demanda de alimentos bastante elástica, possui uma influência decisiva no que se refere à demanda mundial de alimentos. O crescimento econômico dos países ricos, da União Européia, Estados Unidos, e Canadá não tem influência significativa na demanda de alimentos, mesmo porque o aumento da renda “per capita” nesses países e/ou bloco de países não irá pressionar esse tipo de demanda, pois seus habitantes já consomem calorias suficientes para sua manutenção (baixa elasticidade-renda da demanda de alimentos).

Os 23 países mais ricos do mundo (renda per capita acima de US$13.000,00) possuem uma população total de 813,6 milhões de habitantes e a soma do seu PIB (Produto Interno Bruto) é da ordem de 21 trilhões de dólares. Isso representa 62,5% de toda a riqueza do mundo nas mãos de apenas 14,5% da população mundial.

Dessa forma, o aumento da renda “per capita” nos países mais pobres, indicam pressão de demanda de alimentos, principalmente países altamente populosos. Para se ter uma idéia dessa potencialidade basta calcular a necessidade de carne na China se cada habitante incorporar em sua dieta 1kg de carne por ano. Será necessário um adicional de 1,2 milhões de toneladas de carne para atender essa demanda. Essa demanda de carne, considerando a conversão alimentar média de 2,8:1 e as perdas da carcaça resulta numa demanda de ração animal de 4,2 milhões de toneladas. Como a composição média da ração é de 20% de farelo de soja e 70% de milho seriam necessárias 840.000 t de farelo de soja e 2,94 milhões de t de farelo de milho. Essa análise mostra que a demanda de alimentos para os próximos anos deverá se manter firme.

Mas há uma outra fantástica possibilidade: o biodiesel, energia alternativa a partir de óleo de soja. O biodiesel é energia renovável e não finita, como o petróleo. Pode ser usado como combustível 100% puro ou ser misturado ao diesel, em até 5%, sem uma única mudança em motores. É biodegradável e não tóxico, ótimo portanto para o meio ambiente, pois reduz o monóxido de carbono, os hidrocarbonos não queimados e óxidos sulfúricos. O Brasil consome hoje 35 milhões de toneladas/ano de óleo diesel. A economia de petróleo importado seria muito grande com o biodiesel.(Abiove, 2004)

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