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TRANSPORTE DE SOJA NAS RODOVIAS
Em 2002, 59% das estradas administradas pelo governo foram consideradas deficientes; e em 2003, esse índice subiu para 83%, por ação das chuvas e por falta de manutenção.
As conseqüências diretas desse descalabro são: baixa produtividade, baixa confiabilidade, baixa velocidade média, elevado consumo de combustível, desgaste acelerado da frota, elevado índice de acidentes com mortes e falta generalizada de oferta de transporte no pico da safra.
As condições que prevaleceram no escoamento da safra de 2003 foram verdadeiramente dramáticas e poderão ser ainda piores, se as chuvas de janeiro de 2004 forem prenúncio de agravamento do quadro.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estimou, recentemente, que o governo precisará investir algo como R$ 7,5 bilhões para recuperar a malha sob sua responsabilidade: R$ 223,2 milhões para reconstruir trechos que estão totalmente destruídos; R$ 3,693 bilhões para tapar buracos e corrigir ondulações e desgaste do asfalto; e R$ 3,573 bilhões para manutenção. E não estão aí incluídas as necessidades envolvidas para novas construções, onde se enquadram também duplicações e adequações de trechos.
O modelo do vale-pedágio precisa ser repensado; foi concebido sem levar em conta a principal particularidade do agronegócio (embarque em lugares remotos sem infra-estrutura / fronteira agrícola), onerando o custo do transporte. Foi um erro grave a lei de implantação do Vale-Pedágio Obrigatório, porque esse meio de pagamento é inviável no caso do agronegócio, além de resultar em aumento dos custos operacionais para os demais segmentos como siderurgia, cimento, produtos químicos etc.
É muito elevado o nível de insegurança do transporte rodoviário, traduzido em elevado número de acidentes e de incidentes de roubo de carga.
A prestação de serviço no setor é caracterizada pela baixa qualidade do serviço, frota obsoleta e elevado custo de gerenciamento de riscos.
A regulação ainda é deficiente: faltam regras de acesso à atividade; e a fiscalização da operação em níveis federal, estadual e municipal é precária, com baixíssimo nível de harmonização da atuação dos agentes de autoridade.
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